
BrCidades
12 de mar. de 2026
Você já ouviu falar da Campanha da Fraternidade por Moradia?
A Secretaria Nacional da Rede BrCidades, por intermédio desta circular, vem (i) comunicar a realização da Campanha da Fraternidade de 2026, com tema “Fraternidade e Moradia: ele veio morar entre nós”, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e (ii) incentivar que os membros da rede se somem à iniciativa.
1) Breve resgate histórico da Campanha da Fraternidade.
“Ele veio morar entre nós” é o lema da atual Campanha da Fraternidade, uma iniciativa anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada durante a Quaresma. Com a moradia em foco para 2026, a campanha surgiu em 1962, na Arquidiocese de Natal (RN), por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, como expressão concreta de caridade e solidariedade diante das desigualdades sociais, sendo assumida nacionalmente em 1964.
Desde então, consolidou-se como um dos principais instrumentos pastorais e sociais da Igreja Católica no Brasil, articulando espiritualidade e compromisso com a realidade do país. Seus objetivos permanentes incluem despertar o espírito comunitário, educar para a fraternidade fundada na justiça e no amor e renovar a responsabilidade coletiva na promoção humana e na construção do bem comum.
Ao longo de 63 edições até 2026, a Campanha ampliou seu alcance, incorporando temas como fome, políticas públicas, meio ambiente, Amazônia e justiça social. A Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos, materializa esse compromisso ao destinar recursos a projetos voltados às populações mais vulnerabilizadas. Mais do que uma mobilização litúrgica, a Campanha tornou-se um espaço consistente de formação social e incidência pública, acompanhando as transformações do Brasil e reafirmando o compromisso com a dignidade humana.
2) Campanha da Fraternidade 2026 e a Rede BrCidades.
Ao longo de sua trajetória, a Campanha da Fraternidade ampliou significativamente o escopo de seus temas, transitando de abordagens mais estritamente pastorais para reflexões que incidem diretamente sobre questões estruturais de política pública e organização do território. Edições como “Fraternidade e Políticas Públicas” (2019), “Casa Comum” (2016), “Biomas Brasileiros” (2017) e, agora, “Fraternidade e Moradia” (2026), evidenciam essa inflexão histórica: a fé passa a dialogar explicitamente com planejamento urbano, justiça socioambiental, acesso à terra e direito à cidade. Nesse contexto, a Campanha da Fraternidade 2026 converge de maneira direta com a atuação da BrCidades, que se organiza nacionalmente na defesa da Reforma Urbana Popular e na construção de uma agenda política voltada à democratização das cidades.
A rede BrCidades esteve presente em atividades públicas da Campanha de 2026, evidenciando o compromisso comum entre o campo da Reforma Urbana Popular e a mobilização eclesial em torno do direito à moradia. A Professora Ermínia Maricato, integrante da Coordenação Nacional da rede, participou da abertura da Campanha na Região Episcopal do Ipiranga e do Seminário Arquidiocesano realizado em São Paulo (31/01/2026).
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Também estiveram presentes Viviane Almeida, da coordenação da Secretaria Nacional, e Celso Carvalho, conselheiro da rede pelo núcleo São Paulo, reforçando institucionalmente o diálogo entre a Rede BrCidades e os espaços pastorais que discutem a moradia digna. A Missa de Abertura na Catedral da Sé, realizada na Quarta-Feira de Cinzas (18/02/2026), contou com a mobilização de movimentos e ocupações urbanas, reafirmando a presença das lutas territoriais no interior da Campanha.
A iniciativa apresenta um texto base (com versão voltada ao público infantil), onde está a reflexão fundamental que sustenta o caminho da Campanha. Deste modo, ao expor a realidade da moradia no Brasil, o material apresenta o neoliberalismo como fomentador das desigualdades, apontando para a ideia de Estado mínimo e mercado máximo como responsáveis para o problema habitacional no mundo, além de analisar criticamente as políticas públicas habitacionais no Brasil (como o PMCMV) por não romperem com a política econômica neoliberal. Ainda, apresentam o problema social em torno da população em situação de rua, entendendo que o Programa Moradia Primeiro é importante para que essas pessoas acessem esse direito. Perpassa também pelas favelas, ocupações, loteamentos clandestinos, palafitas e mocambos, principais alvos do racismo ambiental e precarização da moradia. Além de expor o déficit habitacional onde emerge o problema do gasto excessivo com aluguel urbano.
No capítulo “Iluminar: ele veio morar entre nós” a análise está situada nos princípios e testemunhos religiosos que norteiam o catolicismo, fazendo a todo tempo um esforço comparativo entre a realidade habitacional do Brasil e o compromisso eclesial.
Por fim, no capítulo “Agir: construirão casas e nela habitarão”, a Campanha expõe um plano de ação dividido entre ações comunitária, eclesial, educativa e sociopolítica, com foco em concretizar a luta para que a moradia seja garantida com dignidade a todas pessoas.
Enquanto a Campanha mobiliza comunidades eclesiais, pastorais sociais e redes de base para refletir sobre a moradia como expressão concreta da dignidade humana, o BrCidades articula movimentos populares, universidades, assessorias técnicas e coletivos territoriais na formulação de propostas, incidência política e fortalecimento da organização territorial de base. Ambos reconhecem que a moradia não se reduz a um problema individual ou assistencial, mas integra um projeto mais amplo de transformação urbana, que envolve justiça territorial, participação popular e enfrentamento das desigualdades socioespaciais. A convergência reside na compreensão de que a cidade é um espaço de disputa política, mas também de construção coletiva de alternativas, onde a organização popular, a incidência pública e o compromisso ético com os territórios se tornam caminhos para materializar o direito à cidade e à moradia digna.
3) Instrumentos e incidência da Campanha da Fraternidade 2026.
Dentre os objetivos da Campanha de 2026 está sensibilizar os católicos no Brasil sobre o compromisso com a moradia digna no país, norteados pela questão “O que a Palavra de Deus e o Magistério da Igreja dizem sobre o direito à moradia?”.
A comunicação é ferramenta estratégica para disseminação do projeto e adesão, com identidade visual estabelecida e materiais de fácil acesso (hino, identidade visual, plano de comunicação, rádio, redes sociais, release, TVs).
O cronograma de atividades possui três principais linhas de comunicação organizadas respectivamente da seguinte forma:
(i) A realidade da moradia no Brasil: mostrar o sofrimento das pessoas em situação de rua e em moradias precárias;
(ii) Ele veio morar entre nós: formar a consciência a partir do conhecimento do que a Palavra de Deus e o Magistério da Igreja dizem sobre o direito à moradia;
(iii) Construirão casas e nelas habitarão: inspirar ações comunitárias, eclesiais, educativas e sociopolíticas que colaborem para o direito à Moradia.
A Campanha tem, organicamente, como instrumento de ação o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) voltado à erradicação de vulnerabilidade e risco social, mediante o fortalecimento das organizações comunitárias.
Para saber mais confira o site oficial da campanha: Campanha da Fraternidade 2026



