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Carta de Solidariedade à Deputada Federal Erika Hilton

GT LGBTQIAPN+ do BR Cidades

20 de mar. de 2026

Não há cidades justas quando tentam excluir corpos dissidentes dos espaços de poder.


O Grupo de Trabalho LGBTQIAPN+ do BrCidades manifesta sua solidariedade à deputada federal Erika Hilton diante da escalada de ataques transfóbicos, racistas e de violência política que vêm sendo dirigidos à sua atuação pública.


O que está em curso não é apenas uma tentativa de deslegitimar uma parlamentar. Trata-se de uma reação organizada contra a presença de sujeitos historicamente excluídos nos espaços onde se decide o presente e o futuro das cidades brasileiras.


Repudiamos com firmeza as manifestações de ódio disseminadas em redes sociais e em veículos de comunicação, bem como práticas que mobilizam o racismo como ferramenta de ataque político, a exemplo de episódios de blackface, que reafirmam dinâmicas históricas de desumanização da população negra.


É imprescindível afirmar que tais condutas não encontram respaldo legal nem democrático. A discriminação por identidade de gênero e orientação sexual foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em 2019, como forma de racismo, sendo enquadrada na Lei nº 7.716/1989, conforme as decisões da ADO 26 e do MI 4733. Trata-se, portanto, de crime.


Para além da dimensão jurídica, é necessário compreender o significado político desses ataques. Eles expressam a resistência de setores que historicamente se beneficiaram da exclusão de corpos dissidentes dos espaços institucionais e da formulação de políticas públicas.


O debate sobre cidade, território e reforma urbana não pode prescindir da participação de quem vive, na prática, as múltiplas camadas de desigualdade que estruturam o Brasil e suas cidades. A presença de Erika Hilton no Congresso Nacional representa, nesse sentido, uma inflexão necessária: a entrada de novas experiências, leituras e prioridades no centro da política institucional.


Construir cidades mais justas exige reconhecer o direito de existir com dignidade, de circular com segurança e de participar ativamente das decisões que impactam a vida coletiva.


Não há política urbana democrática sem diversidade.

Não há planejamento territorial legítimo sem inclusão social.

Não há futuro possível sustentado na exclusão.


Por isso, o GT LGBTQIAPN+ do BrCidades reafirma seu apoio à deputada Erika Hilton, reconhecendo em sua trajetória e em sua atuação política um compromisso com a construção de um país mais justo, plural e democrático e sua importância enquanto nova presidenta da comissão dos direitos das mulheres, reafirmando que nossas instituições devem olhar e zelar por todas as mulheres em sua mais ampla pluralidade.


Seguiremos atuando para que nenhuma pessoa seja excluída dos espaços de decisão e para que as cidades brasileiras sejam, de fato, territórios de direitos.

Pilha de jornais
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