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Marcelo e Otávio: sementes de luta no cerrado palmense

Giovanna Ferreira Lima

27 de abr. de 2026

BrCidades no GGN

O capital extrai da classe trabalhadora periferizada todo o seu vigor e se apropria dos elementos que constituem uma vida minimamente sadia


Convidamos o caro leitor e a cara leitora a fazer uma viagem imaginária à cidade de Palmas, no Tocantins, em seu momento anterior à urbanização: para visualizar o cenário, coloque diante de si uma cidade incutida entre uma serra e um lago, localizados no centro do estado. Palmas era cerrado puro — pequizeiros, pés de baru, murici, enfim, vegetação nativa e resistente, como todo fruto do cerrado o é.


Em 1989, o cenário imaginado inicia o processo de instalação do que foi delimitado para si. Para viabilizar o projeto, áreas e mais áreas foram cedidas à iniciativa privada. Nessa dinâmica, os moradores da região se fazem trabalhadores na construção dessa empreitada e, como gratificação, recebem a expulsão. Seus novos lares passam a ser as margens da cidade. Desde então, as roupagens foram mudando, mas o cenário de desigualdade social profunda persiste. Um exemplo atual e claro é o Morro do Água Fria.


Agora, precisamos retornar ao exercício de visualização: na parte oeste da cidade, fica o lago; quando vamos a noroeste, temos acesso a uma região de alta especulação imobiliária, tendo em vista que, além do acesso ao lago, essa porção norte está mais aproximada do centro. Nessa localidade, nas proximidades do setor Água Fria, até o final dos anos 1990 funcionou um aterro sanitário em uma área de morro. Por volta de 2019, no contexto da pandemia de Covid-19, estabelece-se uma ocupação nesse morro, formada por trabalhadores que também se viram expulsos pela lógica neoliberal de Palmas — a única cidade do Brasil em que mais de 40% da população mora de aluguel, alcançando 43% em 2022, segundo dados do IBGE.


Apesar da proximidade com o centro da cidade, o Morro não recebe o mínimo de infraestrutura básica, como água encanada ou energia regular. De fato, conforme os dizeres de Ermínia Maricato, seus moradores vivem em uma Palmas ilegal. Porém, mesmo nesse contexto, como firmes aroeiras — aqui pelo Toca, quando queremos dizer que alguém é forte, o chamamos de aroeira —, as lideranças comunitárias fazem um papel essencial de organicidade e de questionamento das estruturas impostas.


Giovanna Ferreira Lima é graduada em Direito pela Universidade Federal do Tocantins e mestranda em Desenvolvimento Regional na mesma instituição, com pesquisa focada em direito insurgente e resistências no contexto urbano de Palmas (TO). Na rede BR Cidades, coordena o núcleo Tocantins e compõe o Conselho Nacional. Faz parte, também, da Secretaria Nacional do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS).


Leia o restante na íntegra: https://jornalggn.com.br/artigos/marcelo-e-otavio-a-luta-no-cerrado-palmense-por-giovanna-lima/


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