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O custo de viver: mulheres negras, racismo ambiental e a luta pelo direito de existir

Viviane Almeida
Rosa Negra
Amanda Paschoal

8 de mar. de 2026

BrCidades na Carta Capital

8 de Março: Precisamos aprender, com urgência, que priorizar as favelas é priorizar as mulheres


Não deveríamos neste 8 de março ter que lutar pelo simples direito de existir. Não há justificativa que explique por que, a cada dia, nos matam mais. A misoginia desse nosso tempo, tem sido alimentada cotidianamente, integrando um projeto de poder gerido por homens que nutrem e destilam ódio por nossos corpos e/ou nossa existência.


O fato é que temos lidado com o avanço do fascismo e neoliberalismo, em suas faces mais brutais, abrindo precedentes para um aprofundamento da exploração do meio ambiente, da natureza viva e de sujeitos. Assim como, para rejeição do feminino e descarte da chamada massa marginal, vidas que não importam para o capital, cujo único objetivo é continuar acumulando. 


Os números têm evidenciado esse avanço. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio. Em média, quatro mulheres tiveram suas vidas ceifadas por dia, e 62,6% delas eram negras. Em oito de cada dez casos, os algozes foram parceiros ou ex-companheiros. Isso nos mostra, de forma cruel, que o lugar que deveria ser nosso refúgio e proteção é, muitas vezes, o território mais perigoso que habitamos.


Essa lição de dor, conhecemos faz tempo e aprendemos a dar nome. A casa das mulheres segue insegura, de dentro para fora. Não é um dado isolado de 2025, é uma repetição histórica. Esses dados escancaram a extrema disparidade racial e de gênero que estrutura o nosso país. Se o simples direito de viver e sonhar nos é negado, como podemos falar em acesso à água, saneamento básico, moradia digna, transporte, comida saudável e lares seguros diante dos riscos iminentes?


Diante da crise climática mundial e dos crimes ambientais que se acumulam, são os nossos corpos —negros e femininos — os primeiros a serem dizimados.


Discutimos isso juntas em maio do ano passado, na Feira Nacional da Reforma Agrária. Não é um assunto novo. Amanda trouxe a perspectiva parlamentar sobre o racismo ambiental em São Paulo e a atuação de seu mandato. Viviane apontou os dados alarmantes de Aracaju e São Paulo. E Rosa nos ensinou que devemos ir além: seja no campo ou na cidade, esse capitalismo racial que expropria e descarta mulheres negras não pode vencer.


Falar de mulher é, necessariamente, escalonar o debate das desigualdades. E os dados não nos deixam mentir.



Viviane Almeida é Mulher negra, aracajuana, arquiteta e urbanista, mestranda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Coordena a secretaria executiva da rede BrCidades.


Rosa Negra é Mulher negra, mãe, poeta, militante do MST e doutoranda no programa de pós-graduação em Geografia Humana da USP. 


Amanda Paschoal é Ativista tranvestigenere e vereadora da cidade de São Paulo. Foi a vereadora de esquerda mais votada do país. Representa uma nova geração de lideranças feministas e LGBTQIA+ comprometidas com a justiça social e climática. Em seu mandato, propõe projetos de lei sobre adaptação climática, igualdade de gênero e combate ao racismo ambiental.


Texto na íntegra: https://www.cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/o-custo-de-viver-mulheres-negras-racismo-ambiental-e-a-luta-pelo-direito-de-existir/


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