
Lafaiete Neves
17 de mar. de 2026
BrCidades na Carta Capital
Subsídios municipais e planilhas de custos desatualizadas explicam a ‘liderança’ da capital de Santa Catarina.
Em 2026, Florianópolis se tornou a capital com a tarifa do transporte coletivo mais cara do Brasil: R$7,70.
A grande questão é buscar entender como essa elevação de preço da tarifa se explica diante do aumento substancial do subsídio mensal, pago pela Prefeitura de Florianópolis (PMF), de R$11 milhões mensais às empresas do transporte coletivo cuja receita foi de R$25 milhões /mês, em 2025. O que corresponde a praticamente 40% do valor da tarifa. Em 2024 , Florianópolis gastou 118 milhões em subsídios, montante maior do que os pagos às empresas pelos 9 principais municípios de SC, que juntos gastaram 90 milhões de reais em subsídios e com tarifas mais baixas do que a da capital.
A PMF tenta explicar e não consegue, é que essa grande elevação no preço da tarifa se deve ainda à pandemia, responsável na época, pela queda do número de passageiros, que ainda não conseguiu recuperar.
Esse argumento tem sido utilizado pelas prefeituras e operadoras do transporte coletivo no país, o que é contestado, por razões óbvias. Não houve essa queda tão grande atribuída à pandemia, porque a maioria dos trabalhadores usuários do transporte coletivo, não exerceu trabalho online, pois são trabalhadores do setor de serviços, que foram obrigados a estarem nos locais de trabalho.
O grande fator determinante dessa aludida queda do número de passageiros está sim relacionado à metodologia do cálculo dos custos tarifários, baseada na divisão do custo operacional total, dividido pelo número de passageiros transportados por quilômetro rodado (Índice de passageiros por Km –IPK). Esse sistema entrou em colapso, pois tais custos operacionais estão desatualizados, à medida que foram criados em meados dos anos de 1980, pelo Grupo Executivo da Política de Transportes do governo federal (GEIPOT), com a planilha de custos tarifários que não foi atualizada periodicamente. Essa planilha contém vários parâmetros de custos inerentes aos insumos usados na operação do sistema de transporte coletivo e custos administrativos. Os itens combustíveis, peças e pessoal, têm um peso maior nesses custos, representando mais da metade deles.
Lafaiete Neves é professor aposentado da UFPR, do Conselho de Mobilidade e Urbanismo de Florianópolis, membro do Tarifa Zero Florianópolis, autor do livro 'Tarifa Zero: de décadas de luta ao sonho possível' e colaborador da Rede BrCidades.
Texto na íntegra: https://www.cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/por-que-florianopolis-tem-a-tarifa-de-onibus-mais-cara-do-pais/

