
Claudia Adão
8 de out. de 2025
BrCidades no Jornal GGN
O que mais impressiona nessa montagem é a recusa ao lugar-comum que insiste em enquadrar a periferia pelo viés da precariedade.
A ópera Porgy and Bess, escrita há quase 90 anos por George Gershwin, ganhou nova vida no Brasil em uma montagem histórica no Theatro Municipal de São Paulo. Em quase um século de existência, a obra teve apenas duas mulheres negras em sua direção: em 1995, nos Estados Unidos, foi conduzida por Hope Clarke; e agora, no Brasil, pela primeira vez, esteve sob a direção de Grace Passô. Atriz, dramaturga e diretora, Grace é uma das vozes mais instigantes do teatro contemporâneo brasileiro. Seu trabalho cria caminhos próprios, cruzando ancestralidade, afetos e desigualdades. Ao assumir essa obra datada, com enredo já cristalizado, ela desloca sentidos, devolve a complexidade e abre camadas de leitura que ressoam com as experiências de populações negras e periféricas no Brasil.

